(apenas para maiores de 18 anos)
Quando acordei, o quarto seguia com a mesma mistura de odor: sexo sobre cigarro. Respirei fundo, tentei levantar, tudo aquilo em volta contava a história da última noite. Roupas no chão, garrafas jogadas, som ligado, cinzeiro abarrotado. Só de lembrar, do pouco que consegui, voltei a deitar, fechei os olhos, o tesão voltou – inesperado, rápido, fulminante, como devem ser as vontades indevidas.
A porta me foi aberta após duas suaves batidas. Um quarto limpo, estranho, sem tamanho definido mesmo para os mais sóbrios pensamentos. O carpete, grosso e macio, me fez tirar os tênis, logo depois a calça, a camisa. Fechar a janela, abrir a geladeira, conhecer o banheiro, procurar o cinzeiro, sem querer, me senti confortável, à vontade. Cheguei a desprezar o momento e esquecer o motivo de estar ali. Foi aí que P. apareceu.
Ela é assim: me empurrou para o sofá sem sequer me olhar nos olhos ou abrir a boca. Puxou meu cabelo, ensaiou um carinho em minha barba, mas parou. Preferiu me dar um tapa na face esquerda. Depois um beijo, e outro. E outro tapa. P. é assim, e sabe como eu gosto. Tirou sua camisa, única peça de roupa que vestia, e trouxe sua vulva até os meus lábios, minha língua. Deslizei minha língua sobre os lábios dela, da vulva dela. Devagar, rápido, devagar, rápido. Quando senti minha barba molhada pela buceta de P., deixei que a língua se ocupasse do clitóris. E assim, sobre os gemidos ora agudos, ora graves, poderia ter encarado a noite toda.
Mas quando ela começou a rebolar no meu pau, arranhando meu peito, soltando seus cabelos, olhando para o teto, olhando em meus olhos, o que P. falava sugeria poesia, sugeria oração. Éramos sacerdotes do tesão alheio, devotos de nós dois. Enquanto ela rebolava, eu a escutava dizer: que nunca me falte essa pica dentro de mim, a cravar fundo seus desejos, a desenterrar meu tesão, que nunca me falte esse pau gostoso, pau gostoso.
Eu ainda me penitenciei esfregando meu rosto todo repetidas vezes na buceta de D. Rosto, língua, nariz, boca. Por tudo que é mais possível, seus gemidos enchiam o quarto, rompiam as paredes. Até que, com ela de quatro, enfiei meu pau, que estourava de prazer, fundo. Escutei mais um gemido, grito, alto, senti mais uma vez o gozo.
— Ah, faz assim comigo sempre – ela disse.
E eu desabei sobre D. Como um muro, como um corpo sem esqueleto, acabado, definhando.
Talvez tudo tenha acontecido nessa ordem. Quando acordei, era disso que lembrava. Cheiro de sexo ainda fresco, novo, vamos de novo.