Criminomalia

Um pano vermelho, dentes afiados, lábios esticados, braço direito extirpado, jogado para depois do joelho. Doze dedos amarelos, unhas desfiadas, testa rechaçada, poça escura, da meia dúzia de pães à bolsa, só farelos. Catorze talhos mal fizeram, foi ao último suspiro, o abraço de um amigo, tenta não apagar, mas fecha os olhos, como se criança fosse. Vinte e cinco quadras depois, correu, tentou viver, caiu em sorriso quase gargalhadas, e banhado, disse: “De que adianta, se nem mesmo, de mim, levaram o brinco.”

Ilustração de Matheus Póvoas